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O Tropeirismo

A Jornada

Jornada era o dia completo de trabalho de uma tropa. Começava, não raro, às duas ou três horas da madrugada, sendo normal acordarem os tropeiros antes das quatro horas, noite escura ainda, "se não havia luma".

O madrinheiro se apressava em apanhar água e, com os gravetos e paus apanhados na chegada, acendia o fogo debaixo da trempe, para o café e o feijão.

Guiado pelo cincerro da madrinheira, o tocador ia para o campo, em busca dos animais. Jogando o cabresto sobre o pescoço da égua, conduzia-a, e aos burros que a seguiam, de volta ao rancho. Aí os burros eram encabrestados e amarrados, doia a dois, em suas estacas, para serem encangalhados e para o alceamento da carga. Nos bornais que se colocavam emm seus focinhos, comiam de um a dois litros de milho, enquanto também se arreavam de sela a égua madrinheira e a besta do arreador.

Alimentados os homens com virado e café, guardados os trens de cozinha e a munição, que eram colocados como dobros do último burro, o culatreiro, dava-se o último arrocho na carga. Tinha, então, início a jornada.

"A marcha oficial da tropa são três léguas. De três a três e meia. Não pode passar disso". Ganhando a estrada, a tropa seguia, indo à frente, montado na égua com seu sininho, o menino madrinheiro. Mais atrás, batendo o peitoral de cincerros, a besta dianteira. Depois, uma a uma, as bestas de carga, indo por último a culatreira. Um pouco distante, na besta melhor arreada, e exibindo suas botinas ferradas, cavalgava o arreador. Iam todos passo a passo. A carga era pesada, e longa era a jornada.

O tocador seguia a pé. Sempre descalço, vestia sobre a calça e a camisa o longo guarda-peito, que lhe cobria os joelhos. O tapa-cara ora era levado ao ombro, ora ia amarrado à cintura. Às vezes ia mesmo à mão, com as correias agitadas ao ar, açulando as bestas, orientando-as em todo o trajeto.

Nada detinha a tropa. Um a um, homens e animais venciam os caminhos mais difíceis. Vadeavam rios, escorregavam por ladeiras pedregosas, margeavam despenhadeiros...

Veja também:

Comida Tropeira I

Comida Tropeira II



Restaurante Lipski
Avenida Manoel Pedro, 1855 Lapa - Paraná Telefax: (41) 3622-1202

email: r.lipski@lipskirestaurante.com.br






Fonte bibliográfica: O Folclore das tropas, tropeiros e cargueiros no Vale do Paraíba - Tom Maia e Thereza Regina de Camargo Maia - MEC/Funarte-1980 (texto e gravuras)