|

Comida Tropeira I
A comida do tropeiro era feita por mão de homem. Na tropa não havia mulheres, e mulheres também não iam ao rancho. As romarias eram a exceção.
Os trens de cozinha vinham no jacá de caldeirão, alceado sempre no burro culatreiro. Também no culatreiro vinha a comitiva, saco de munição ou saco de mantimentos, ou jacá de munição ou de mantimentos. O jacá de caldeirão era estreito, "da largura mesmo de um caldeirão e comprido. Do próprio trançado de taquara saía, de um lado, a tampa, que se fechava para fora". Nele iam os trens de cozinha, que eram da responsabilidade do madrinheiro: 1 caldeirão de ferro com tampa, para o feijão; 1 panela de ferro de três pés, sem tampa, para fritar o torresmo e fazer o arroz; 1 ciculateira (chocolateira) de cobre ou de folha; o coador e sua armação; as xícaras de folha, ferro batido ou canequinhas esmaltadas; a cuia de meia cabaça. Nos vãos, calçados com palha de milho, iam os pratos louçados ou esmaltados, de ágate, as colheres, canecas de estanho e mesmo as lamparinas, com torcida de algodão cru, para o querosene, que era levado em garrafas.
O feijão, pó de café, farinha de mandioca ou de milho, carne de porco, toucinho, sal e açúcar iam no jacá ou saco de munição. Muito usado era o açúcar mascavo, conhecido como barro-de-telha, o pernambuco, o mascavinho, demerara, o mé-de-tanque, que por ser muito úmido ia pingando pelo caminho. Algumas tropas usavam açúcar cristal, e muitas, o açúcar rapadura. Outras levavam até mesmo arroz.
O fogão do tropeiro era a trempe... Era uma armação de três varas, que tanto podiam ser de ferro como de pau verde, colhido na hora. Firmadas em triângulo no chão, distantes uma da outra pouco mais de meio metro, as três varas se uniam no alto, fixadas por uma correia. Desta descia uma corrente de ferro, de uns vinte e cinco centímetros, que tinham à ponta um gancho, às vezes duplo.
Sob a trempa se amontoavam os gravetos e se acendia o fogo, colocando-se nesse borralho a ciculateira com água para o preparo do café. Era com esse fogão improvisado, raramente com fogareiro de ferro, ou com duas forquilhas armadas, que o madrinheiro preparava a comida simples do tropeiro.
Pela madrugada, iniciando o dia, o menino armava a trempa e acendia o fogo. "Punha o toucinho para fritar na panela. O caldeirão vinha do outro fogo" com feijão cozido, e ficava de um lado, esperando. "A ciculateira já estava ali no borralho, esquentando a água". Frito o torresmo, era retirado. "Repartia a gordura, punha sal com o alho nela, fritava, pegava o torresmo com a colher, bem amassado com farinha, punha para esquentar". Com a água já fervendo, era coado o café.
Veja também:
Comida Tropeira II

Restaurante Lipski
Avenida Manoel Pedro, 1855
Lapa - Paraná
Telefax: (41) 3622-1202
email: r.lipski@lipskirestaurante.com.br

Fonte bibliográfica: O Folclore das tropas, tropeiros e cargueiros no Vale do Paraíba - Tom Maia e Thereza Regina de Camargo Maia - MEC/Funarte-1980 (texto e gravuras)
|